Meu último post foi em 05 de maio. Sabia que fazia tempo que eu não escrevia, mas não percebi que era tanto tempo assim. Bom, a metade do ano já está acabando e eu ainda tenho a sensação de que voltei do Reveillon em Punta há uns dois meses.
Durante o sumiço fiquei mais velha. Outra dia eu disse para minha terapeuta que agora estou percebendo que meus pais estão envelhecendo, ao que ela me lembrou: "você também". É, mas por enquanto estou curtindo essa fase dos 30 e poucos. Não que os 40, 50, 60, 70, 80 e poucos me asustem. O que me assusta, na verdade, é mulher que não sabe enxergar a beleza do envelhecimento. Ficar com uma cara toda esticada e vestindo roupinha justa aos 60 não dá!
Também voltei pra corrida e comecei a fazer Pilates, numa tentativa de me livrar daquela coisa estúpida e tediosa da musculação. E com isso consegui me livrar também da academia, pois meu saco estourou pra isso. Estou adorando o Pilates e cada vez que estou lá curtindo, penso como é bom estar fora da academia com os malhadinhos à minha volta.
O bom de voltar a correr e começar a fazer Pilates é que estou me obrigando a levantar cedo e a começar o dia com o exercicio físico. O resto do dia eu passo mais disposta e com a sensação de dever cumprido. Semana passada, por exemplo, um frio de amargar aqui em Sampa e eu às 06h30 da manhã correndo no Ibirapuera! Dever mais do que cumprido.
Durante o silêncio nesse blog eu também terminei o MBA no Ibmec, com um belo 9 em contabilidade gerencial (não era nem a financeira). E eu sou advogada! E o melhor de tudo: eu realmente estudei e fiz a prova sozinha (sim, porque descobri nesse MBA que alunos são alunos e colam em qualquer idade)! Fiquei orgulhosa de mim, que desde pequena tenho pavor dos números (é um trauma que estou tratando e que não vem ao caso agora).
Ganhei também uma afilhada, a Isabela, minha sobrinha de 3 meses, irmã gêmea da Mariana. Estou curtindo as duas que é uma loucura! Mudaram minha vida e me deram ainda mais vontade de transformar o mundo num lugar melhor para se viver. Nossos bebês e nossas crianças merecem.
Esse post está mais parecendo minha sessão de terapia. Começo pensando num assunto e termino não entendendo como cheguei ali.
Por hoje é só.
sábado, 21 de junho de 2008
segunda-feira, 5 de maio de 2008
Turista na minha própria cidade
Mudar para perto do escritório e abandonar o carro foi uma das mais felizes decisões da minha vida até agora.
Deixar para trás aquele congestionamento diário que me fazia levar duas horas para chegar ao trabalho não tem preço meeeeeeesmo.
Há, porém, uma outra vantagem: a descoberta da minha cidade.
Eu, que sempre gostei de caminhar pelas cidades que visitei, dificilmente caminhava por São Paulo além do bairro em que morava. Agora, sem o carro, tenho me virado de táxi, mas muito também de metrô e a pé. E essa opção tem me levado a conhecer pessoas, lugares, cheiros, barulhos e cores.
Estou vendo São Paulo sem o vidro do carro na minha frente.
Estou respirando o ar de São Paulo, por mais poluído que seja, e não mais o ar condicionado.
Tenho ouvido o som das ruas e não do rádio.
Tenho falado com os jornaleiros, seguranças, policiais, pedestres e passageiros do metrô.
Enfim, estou sentindo São Paulo e sua gente.
Hoje, por exemplo, resolvi ir a pé do Fórum João Mendes para a Escola Paulista de Direito, na Avenida Liberdade. Descobri uma igreja lotada de gente acendendo velas que não acabavam mais. A imagem era linda. Pena que eu estava sem a câmera, mas fiquei ali um tempo, fitando aquela imagem tão inesperada.
No caminho, conversei com vários jornaleiros.
Resolvi tomar um lanche numa padaria japonesa, bem no miolo da Liberdade. Entrei nos mercadinhos com prateleiras lotadas de produtos que eu nunca havia visto, onde a língua oficial é o japonês, o chinês ou o coreano, sei lá. Só sei que um japonês explicava que uma das massas vendidas parecia "pan firito". Eu estava, definitivamente, em outro país. Até a luz do entardecer parecia diferente.
Um quarteirão a mais e eu já havia voltado para o Brasil. Mulheres vestidas de baianas vendiam acarajé e ensinavam trabalhos para o público pagante. Tinha pipoca, pinga, canjica e outras oferendas pro "santo".
Se estivesse de carro, eu teria levado o triplo do tempo, não teria comido o pão no vapor chinês nem o doce de feijão e teria chegado à aula extremamente irritada. A pé, cheguei calma e feliz com as descobertas.
Deixar para trás aquele congestionamento diário que me fazia levar duas horas para chegar ao trabalho não tem preço meeeeeeesmo.
Há, porém, uma outra vantagem: a descoberta da minha cidade.
Eu, que sempre gostei de caminhar pelas cidades que visitei, dificilmente caminhava por São Paulo além do bairro em que morava. Agora, sem o carro, tenho me virado de táxi, mas muito também de metrô e a pé. E essa opção tem me levado a conhecer pessoas, lugares, cheiros, barulhos e cores.
Estou vendo São Paulo sem o vidro do carro na minha frente.
Estou respirando o ar de São Paulo, por mais poluído que seja, e não mais o ar condicionado.
Tenho ouvido o som das ruas e não do rádio.
Tenho falado com os jornaleiros, seguranças, policiais, pedestres e passageiros do metrô.
Enfim, estou sentindo São Paulo e sua gente.
Hoje, por exemplo, resolvi ir a pé do Fórum João Mendes para a Escola Paulista de Direito, na Avenida Liberdade. Descobri uma igreja lotada de gente acendendo velas que não acabavam mais. A imagem era linda. Pena que eu estava sem a câmera, mas fiquei ali um tempo, fitando aquela imagem tão inesperada.
No caminho, conversei com vários jornaleiros.
Resolvi tomar um lanche numa padaria japonesa, bem no miolo da Liberdade. Entrei nos mercadinhos com prateleiras lotadas de produtos que eu nunca havia visto, onde a língua oficial é o japonês, o chinês ou o coreano, sei lá. Só sei que um japonês explicava que uma das massas vendidas parecia "pan firito". Eu estava, definitivamente, em outro país. Até a luz do entardecer parecia diferente.
Um quarteirão a mais e eu já havia voltado para o Brasil. Mulheres vestidas de baianas vendiam acarajé e ensinavam trabalhos para o público pagante. Tinha pipoca, pinga, canjica e outras oferendas pro "santo".
Se estivesse de carro, eu teria levado o triplo do tempo, não teria comido o pão no vapor chinês nem o doce de feijão e teria chegado à aula extremamente irritada. A pé, cheguei calma e feliz com as descobertas.
domingo, 4 de maio de 2008
Como me definir pelos livros na cabeceira?
- 1968: o ano que não terminou, Zuenir Ventura
- Persuasão, Jane Austen
- Previsivelmente irracional, Dan Ariely
- Para ler como um escritor, F. Prose
- Variedades da experiência científica, Carl Sagan
- Fazes-me falta, Inês Pedrosa
- As Américas e a civilização, Darcy Ribeiro
- 50 contos de Machado de Assis
- Constituição Federal
???????????????
- Persuasão, Jane Austen
- Previsivelmente irracional, Dan Ariely
- Para ler como um escritor, F. Prose
- Variedades da experiência científica, Carl Sagan
- Fazes-me falta, Inês Pedrosa
- As Américas e a civilização, Darcy Ribeiro
- 50 contos de Machado de Assis
- Constituição Federal
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O que será de nós?
A conversa era entre eu e uma senhora, mãe de quatro filhos. Estávamos falando sobre nossa opção em pagar mais caro por frutas e verduras cultivadas sem agrotóxicos e por carnes de animais que não sofreram para nos alimentar.
Eu, por exemplo, tinha comprado uma dúzia de ovos no supermercado e pagado quase o dobro do preço porque as galinhas dessa granja, de acordo com a informação da caixa (na qual acreditei), são criadas fora de gaiolas.
Quando descobri algumas das crueldades que fazem com os animais, para que possamos comer, passei a rejeitar alguns alimentos. Por exemplo, há anos não como baby beef. Sei que carne nos faz bem e eu até gosto de comer um bom bife (passo muito bem sem a carne vermelha), mas um boizinho não precisa crescer confinado entre quatro paredes, sem qualquer espaço para se locomover, apenas para que possamos comer uma carne macia. Também parei de comer patê de fígado de ganso, que eu tanto gosto.
Enfim, esse era o assunto com a tal senhora.
Foi então que um dos filhos, com mais ou menos 12 anos, achou que não valia a pena pagar mais caro por um produto, se temos tantos outros à disposição.
Nosso entendimento, meu e da mãe, era de que, se cada vez mais pessoas se preocupassem com a qualidade dos alimentos e comprassem mais produtos orgânicos, sem agrotóxicos etc, o preço iria cair.
Foi aí que o marido da senhora, pai de quatro filhos, sempre muito brincalhão e com uma piada na ponta da língua, disse:
- Claro, em 2032 os preços cairão! E vocês aí pagando mais caro.
Como ele fez mais uma piada a meu respeito, numa tentativa de dizer que eu era burra, resolvi não dar bola.
Mas fiquei pensando: em 2032, esse senhor será idoso, seus filhos serão adultos e os netos que ele provavelmente terá serão adolescentes. E pelo visto ele está se lixando pra tudo isso. E não faz diferença se for 2032, 2045, 2234...o que importa sou eu agora.
Como num outro dia, em que pedi para um amigo controlar o uso da água, e ouvi como resposta: que se virem com Coca-Cola!
Nunca me achei dona da natureza, mas sim parte dela. Creio que a natureza não está nem aí para nós. Assim como dinossauros sumiram do planeta, o mesmo acontecerá conosco. De qualquer forma, tento fazer minha pequenina parte para contribuir com o lugar em que vivo, hoje e amanhã, estando eu aqui ou não.
Mas, pelo jeito, não faço parte de uma maioria.
Eu, por exemplo, tinha comprado uma dúzia de ovos no supermercado e pagado quase o dobro do preço porque as galinhas dessa granja, de acordo com a informação da caixa (na qual acreditei), são criadas fora de gaiolas.
Quando descobri algumas das crueldades que fazem com os animais, para que possamos comer, passei a rejeitar alguns alimentos. Por exemplo, há anos não como baby beef. Sei que carne nos faz bem e eu até gosto de comer um bom bife (passo muito bem sem a carne vermelha), mas um boizinho não precisa crescer confinado entre quatro paredes, sem qualquer espaço para se locomover, apenas para que possamos comer uma carne macia. Também parei de comer patê de fígado de ganso, que eu tanto gosto.
Enfim, esse era o assunto com a tal senhora.
Foi então que um dos filhos, com mais ou menos 12 anos, achou que não valia a pena pagar mais caro por um produto, se temos tantos outros à disposição.
Nosso entendimento, meu e da mãe, era de que, se cada vez mais pessoas se preocupassem com a qualidade dos alimentos e comprassem mais produtos orgânicos, sem agrotóxicos etc, o preço iria cair.
Foi aí que o marido da senhora, pai de quatro filhos, sempre muito brincalhão e com uma piada na ponta da língua, disse:
- Claro, em 2032 os preços cairão! E vocês aí pagando mais caro.
Como ele fez mais uma piada a meu respeito, numa tentativa de dizer que eu era burra, resolvi não dar bola.
Mas fiquei pensando: em 2032, esse senhor será idoso, seus filhos serão adultos e os netos que ele provavelmente terá serão adolescentes. E pelo visto ele está se lixando pra tudo isso. E não faz diferença se for 2032, 2045, 2234...o que importa sou eu agora.
Como num outro dia, em que pedi para um amigo controlar o uso da água, e ouvi como resposta: que se virem com Coca-Cola!
Nunca me achei dona da natureza, mas sim parte dela. Creio que a natureza não está nem aí para nós. Assim como dinossauros sumiram do planeta, o mesmo acontecerá conosco. De qualquer forma, tento fazer minha pequenina parte para contribuir com o lugar em que vivo, hoje e amanhã, estando eu aqui ou não.
Mas, pelo jeito, não faço parte de uma maioria.
sábado, 3 de maio de 2008
Meu reino por...
Estava lendo um texto do Ney Matogrosso na Piauí de maio 2008, e ele menciona que, das coisas criadas pelo Homem, talvez só sentisse falta do banho quente.
Banho quente com toda certeza eu sentiria MUITA falta. A maioria das pessoas que eu conheço gosta de cochilar, ou só dar uma deitadinha para descansar. Eu gosto do banho quente. É com o banho quente que reponho as energias. E de banheira, então? Meia-luz, um livro nas mãos e saio da banheira como uma senhora de 100 anos.
Do que mais eu sentiria falta? Mas falta mesmo???
Estava aqui pensando, mas meu marido vai levar os cães passear na USP e eu vou junto! Depois volto a pensar no assunto...
Banho quente com toda certeza eu sentiria MUITA falta. A maioria das pessoas que eu conheço gosta de cochilar, ou só dar uma deitadinha para descansar. Eu gosto do banho quente. É com o banho quente que reponho as energias. E de banheira, então? Meia-luz, um livro nas mãos e saio da banheira como uma senhora de 100 anos.
Do que mais eu sentiria falta? Mas falta mesmo???
Estava aqui pensando, mas meu marido vai levar os cães passear na USP e eu vou junto! Depois volto a pensar no assunto...
domingo, 27 de abril de 2008
Vai andar ou vai parar?
Todo o mundo sabe que dirigir um carro pelas ruas de São Paulo não te levará a lugar algum em menos de uma hora. Ainda assim, as pessoas gastam o dinheiro que têm ou que não têm para comprar um carro zero e depois ficam indignadas na direção, xingando o Kassab, o Serra, Deus e, pior de tudo, a pessoa que está ao lado passando pela mesma agonia. As palavras ditas e as atitudes tomadas me fazem crer que humanidade é artigo raro em São Paulo. Cada vez mais raro.
Não estou dizendo que não compreendo essas atitudes, pois eu mesma passava duas horas toda manhã parada no trânsito e se tivesse uma arma, hoje eu estaria certamente presa por homicídio doloso. Mas quando chegamos a esse ponto é preciso parar pra pensar: o que sou afinal, um ser humano ou uma besta?
Ocorre que não é apenas no trânsito que nós, paulistanos, estamos disputando o mesmo espaço. O caos está se alastrando: fila nas padarias, restaurantes, lanchonetes, cinema, teatro e museus. Os parques estão lotados, assim como as calçadas, ônibus e metrô.
Resultado?
Pessoas cada vez mais irritadas e impacientes, preocupadas com o próprio umbigo.
Estou assustada com o que vejo por aqui: no metrô, jovens não dar lugar aos mais velhos; nos Jardins, os “nobres” moradores não recolhem as fezes dos seus cachorros das ruas; motoristas aceleram quando um pedestre tenta atravessar a rua à sua frente; pessoas que nunca se viram dizem barbaridades umas às outras; pessoas se empurram nas calçadas e outro dia, na minha frente, quando uma garota “perguntou” para o homem que andava à sua frente “vai andar ou vai parar?” (eu disse que as calçadas estão lotadas), tomou um belo murro na fuça que a levou pro chão! Assim...reclamou, tomou.
Cada dia mais perigoso viver em São Paulo.
Não estou dizendo que não compreendo essas atitudes, pois eu mesma passava duas horas toda manhã parada no trânsito e se tivesse uma arma, hoje eu estaria certamente presa por homicídio doloso. Mas quando chegamos a esse ponto é preciso parar pra pensar: o que sou afinal, um ser humano ou uma besta?
Ocorre que não é apenas no trânsito que nós, paulistanos, estamos disputando o mesmo espaço. O caos está se alastrando: fila nas padarias, restaurantes, lanchonetes, cinema, teatro e museus. Os parques estão lotados, assim como as calçadas, ônibus e metrô.
Resultado?
Pessoas cada vez mais irritadas e impacientes, preocupadas com o próprio umbigo.
Estou assustada com o que vejo por aqui: no metrô, jovens não dar lugar aos mais velhos; nos Jardins, os “nobres” moradores não recolhem as fezes dos seus cachorros das ruas; motoristas aceleram quando um pedestre tenta atravessar a rua à sua frente; pessoas que nunca se viram dizem barbaridades umas às outras; pessoas se empurram nas calçadas e outro dia, na minha frente, quando uma garota “perguntou” para o homem que andava à sua frente “vai andar ou vai parar?” (eu disse que as calçadas estão lotadas), tomou um belo murro na fuça que a levou pro chão! Assim...reclamou, tomou.
Cada dia mais perigoso viver em São Paulo.
quinta-feira, 17 de abril de 2008
Baba Slava
Eis que estávamos na noite de ontem, dia 16 de abril, comemorando o aniversário do meu pai com um jantar em família num dos nossos restaurantes preferidos em São Paulo, quando o celular do aniversariante toca. Do outro lado da linha, seu irmão, que ainda não havia lhe dado os parabéns, diz: “a mamãe morreu”.
Silêncio.
Primeira frase do meu pai: “minha mãe não pode fazer isso comigo!”
Em seguida, um choro sentido e soluçado. Depois, um brinde com uma taça de vinho, bebida dileta da minha avó. Mais choro. Mais brinde. Mais choro. Mais brinde. Até que era chegada a hora de sair correndo dali.
Na minha mente, um único pensamento, expresso apenas posteriormente: minha avó materna faleceu no dia do aniversário da minha irmã, e agora minha avó paterna morre no dia do aniversário do meu pai. Tudo bem que datas são apenas datas, mas que esse negócio está esquisito, está. Fico pensando se as véinhas chegaram a fechar um acordo quanto a isso!
Passado o susto, o dia 17 foi de despedida da vó Slava, como era chamada por seus netos a Sra. Miroslava Dragojevic Bosko Gerbovic (quando eu era criança, minhas amigas brincavam de decorar o nome da minha avó).
Com 89 anos, Miroslava (glória e paz em croata) nasceu no fim da I Grande Guerra na Vela Luka, uma ilha então pertencente à Iugoslávia, hoje croata.
Filha de Ivan Dragojevic Bosko e Marija Dragojevic Bosko (sabe que não sei o nome de solteira da minha bisavó?), veio para o Brasil acompanhada dos pais e das 2 irmãs e irmão mais velho em 1925.
Chegaram numa terra desconhecida, sem falar uma palavra de português, e foram tratados no início quase que como escravos numa fazenda localizada no interior de São Paulo. Meu “dida” (avô em croata, apesar de eu me referir ao meu bisavô), poeta conhecido como Veli Ivan (Grande Ivan), narrou toda a trajetória da Vela Luka ao Brasil em poemas. Uma pena eu não ter conhecido esse bisavô, pois tenho a impresão de que seríamos bons amigos.
Uma vez na capital do estado, junto com outros iugoslavos, minha avó se viu obrigada a trabalhar desde cedo. Teve inclusive o documento civil alterado pelo próprio pai, para poder trabalhar, ainda que fosse uma criança.
Apesar da vida sofrida, teve muito carinho dos pais, cresceu muito amiga dos irmãos, riu e fez rir, pois sempre foi a “palhaça” da turma.
Logo após perder o pai, casou-se com Ivan Gerbovic, pois já tinha quase 30 anos e ele era simpático. Essa era a minha avó: extremamente sincera.
Com ele, teve 3 filhos, os quais lhe deram 8 netos, dos quais 1 lhe deu duas bisnetas, as quais ela não chegou a conhecer. Podemos dizer que deixou várias marcas no mundo.
Gostaria, porém, de elencar as marcas deixadas na minha memória pela minha avó:
- Maria-mole
- lasanha e batata frita
- muitas risadas e palhaçadas
- Bíblia Sagrada, santinhos, imagens de Cristo na cruz
- reza do terço em croata
- cabelos brancos arroxeados
- unhas sempre feitas
- irritação por não chegarmos às 12h00 em ponto para o almoço de domingo
- bingo
- frases como “estou com ânsia de gômito”, “a sereia da imbulância não parou de tocar”, “a fulana tem creme (leia-se crânio) mole”, “a Marinoca tirou o pênis (leia-se apêndice)”, “não gosto que cachorro me lembe”, “eu falo errado porque estudei na Europa”, quando o certo seria “eu falo errado porque nunca estudei” (logo ela, filha de um poeta conhecido na Vela Luka!), “minha neta vai dançar ‘O homem que matou o cisne’ (leia-se “O Lago dos Cisnes”), quando então ela me perguntou “quem era o urubu”....... Vó, era o cisne negro!
Ela já estava doente há uns dois anos, mas não deixamos de tomar um susto, no dia do aniversário do meu pai, sendo que ele a havia visitado duas horas antes do óbito.
Não estou triste, mas bastante emocionada.
Sbog, baba! Obrigada por ter sido minha avó.
PS: apesar da noite passada em claro, eu queria escrever um pouco sobre o dia de ontem. Confesso, porém, que não estou nem enxergando a tela. Desculpem-me quaisquer falhas!
Silêncio.
Primeira frase do meu pai: “minha mãe não pode fazer isso comigo!”
Em seguida, um choro sentido e soluçado. Depois, um brinde com uma taça de vinho, bebida dileta da minha avó. Mais choro. Mais brinde. Mais choro. Mais brinde. Até que era chegada a hora de sair correndo dali.
Na minha mente, um único pensamento, expresso apenas posteriormente: minha avó materna faleceu no dia do aniversário da minha irmã, e agora minha avó paterna morre no dia do aniversário do meu pai. Tudo bem que datas são apenas datas, mas que esse negócio está esquisito, está. Fico pensando se as véinhas chegaram a fechar um acordo quanto a isso!
Passado o susto, o dia 17 foi de despedida da vó Slava, como era chamada por seus netos a Sra. Miroslava Dragojevic Bosko Gerbovic (quando eu era criança, minhas amigas brincavam de decorar o nome da minha avó).
Com 89 anos, Miroslava (glória e paz em croata) nasceu no fim da I Grande Guerra na Vela Luka, uma ilha então pertencente à Iugoslávia, hoje croata.
Filha de Ivan Dragojevic Bosko e Marija Dragojevic Bosko (sabe que não sei o nome de solteira da minha bisavó?), veio para o Brasil acompanhada dos pais e das 2 irmãs e irmão mais velho em 1925.
Chegaram numa terra desconhecida, sem falar uma palavra de português, e foram tratados no início quase que como escravos numa fazenda localizada no interior de São Paulo. Meu “dida” (avô em croata, apesar de eu me referir ao meu bisavô), poeta conhecido como Veli Ivan (Grande Ivan), narrou toda a trajetória da Vela Luka ao Brasil em poemas. Uma pena eu não ter conhecido esse bisavô, pois tenho a impresão de que seríamos bons amigos.
Uma vez na capital do estado, junto com outros iugoslavos, minha avó se viu obrigada a trabalhar desde cedo. Teve inclusive o documento civil alterado pelo próprio pai, para poder trabalhar, ainda que fosse uma criança.
Apesar da vida sofrida, teve muito carinho dos pais, cresceu muito amiga dos irmãos, riu e fez rir, pois sempre foi a “palhaça” da turma.
Logo após perder o pai, casou-se com Ivan Gerbovic, pois já tinha quase 30 anos e ele era simpático. Essa era a minha avó: extremamente sincera.
Com ele, teve 3 filhos, os quais lhe deram 8 netos, dos quais 1 lhe deu duas bisnetas, as quais ela não chegou a conhecer. Podemos dizer que deixou várias marcas no mundo.
Gostaria, porém, de elencar as marcas deixadas na minha memória pela minha avó:
- Maria-mole
- lasanha e batata frita
- muitas risadas e palhaçadas
- Bíblia Sagrada, santinhos, imagens de Cristo na cruz
- reza do terço em croata
- cabelos brancos arroxeados
- unhas sempre feitas
- irritação por não chegarmos às 12h00 em ponto para o almoço de domingo
- bingo
- frases como “estou com ânsia de gômito”, “a sereia da imbulância não parou de tocar”, “a fulana tem creme (leia-se crânio) mole”, “a Marinoca tirou o pênis (leia-se apêndice)”, “não gosto que cachorro me lembe”, “eu falo errado porque estudei na Europa”, quando o certo seria “eu falo errado porque nunca estudei” (logo ela, filha de um poeta conhecido na Vela Luka!), “minha neta vai dançar ‘O homem que matou o cisne’ (leia-se “O Lago dos Cisnes”), quando então ela me perguntou “quem era o urubu”....... Vó, era o cisne negro!
Ela já estava doente há uns dois anos, mas não deixamos de tomar um susto, no dia do aniversário do meu pai, sendo que ele a havia visitado duas horas antes do óbito.
Não estou triste, mas bastante emocionada.
Sbog, baba! Obrigada por ter sido minha avó.
PS: apesar da noite passada em claro, eu queria escrever um pouco sobre o dia de ontem. Confesso, porém, que não estou nem enxergando a tela. Desculpem-me quaisquer falhas!
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