segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

11 anos

21 de dezembro de 1998, por volta das nove horas da manhã. O telefone do apartamento em que moro sozinha toca. Atendo.

- Oi Lu, é o Vitor.

- Vitor?

- Tio Vitor.

Ih, Tio Vitor, pai da minha melhor amiga, nunca havia me ligado. Ela deveria ter chegado do Nordeste no dia 20 à noite, no aeroporto de Congonhas, perto de onde eu morava. Será que tinha perdido o voo? Será que ele iria me pedir para buscá-la? Ótimo, assim ao invés de ligar mais tarde pra saber da viagem, como estava planejando, eu poderia ouvi-la pessoalmente.

- Oi tio!!! Tudo bem?

- Não, Lu, não está tudo bem. A Van morreu.

Pausa.

Pausa nos meus batimentos cardíacos. Pausa na minha respiração. Pausa nas minhas funções cerebrais. Olhei pela janela, os carros não se movimentavam, as pessoas pararam de andar, com as sacolas com as compras de Natal suspensas nas mãos. Pausa nos movimentos de rotação e translação.

- Lu? Lu?

- Tio, depois te ligo.

- Lu, você está sozinha? Lu, procure alguém, não fique sozinha. Desculpa te ligar. Desculpe-me por te dar essa notícia.

Tututututututututututu.

Olhei pela janela novamente. As compras de Natal continuavam, as pessoas ainda andavam pelas ruas. Os carros se movimentavam. Eu respirava e pensava. Meu coração batia. A vida não havia parado. Não estava preocupada com a minha dor. Não estava preocupada em ver a Vanessa partir.

Pausa para o grito de animal ferido nas entranhas.

Enxugo as lágrimas e vou ver minha amiga pela última vez.

Muitos vinte e uns de dezembro vieram depois daquele, sempre melhores, como espero que seja o de hoje. É o dia da Vanessa estar ainda mais presente nos meus pensamentos. É o dia de agradecer essa amiga que me deu uma amizade eterna, porque eu sei, seu simplesmente sei, que ela está comigo, cuidando de mim, aonde quer que eu vá.

Obrigada, minha amiga. Amo-te. Amo-te. Amo-te.

Um comentário:

Murillo diMattos disse...

É.. têm pessoas assim, que nos deixam essas marcas. Marcas boas... laços de nós embaraçados de eterna amizade, e também nos deixam aquela sensação (boa, eu creio...), que a qualquer momento vão entrar pela porta e nos agraciar com um sorriso, um abraço, um beijo, um papo gostoso, apesar de a muito terem nos deixado (isso é ruim, com certeza..). Escrevi um rabisco (é como chamo meus poemas) sobre isso, e passei para uma parceira musical e amiga, chamada Anna, se ela sentir aquele “click” (espero que sinta!) e despejar uma música em cima, eu te mando (não sei de que forma, mas mando). Vou repetir as palavras que escrevi para meu amigo (e outro parceiro musical), Jocemar, sobre um poema que ele escreveu:
São coisas assim que, quando leio, me direcionam melhor o dia. Obrigado!